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Muito engraçada a Vida

Muito engraçada a vida… Esse blog não tem a intenção de fazer apologias a nenhum fato ou tema. Criei esse contato com nossos amigos e clientes para divulgar as atividades do studio e deixar uma relação comercial, mais intimista, afinal clientes, muitas vezes tornam-se amigos pois entramos em sua intimidade para criar fotos com emoções.

Acontece que antes de ser fotógrafa, sou uma mulher… um ser humano e fica impossível deixar minhas emoções e sentimentos de lado quando a gente senta pra escrever alguma coisa.

E continuo a dizer que a vida é muito engraçada… dias atrás, peguei meu exemplar da Revista Veja, que recebo semanalmente e para o meu desepero, a matéria de capa falava sobre como ficou a vida de algumas pessoas, depois que diagnosticaram o câncer. Logo que li a chamada da matéria, larguei a revista sobre a mesa e não a li… Na verdade a gente inventa mil fugas e saidinhas estratégicas pra não confrontar com nossos monstros interiores, né?! E olha que com o passar dos anos e quanto mais idade temos, mais feios e maldosos ficam esses monstros.

Bem, há exatos 56 dias perdi minha querida Mãe, vítima do meu monstro maior: o câncer. Depois de uma luta que se iniciou há 3 anos, assistimos a ida pouco a pouco de uma mulher linda, viva, feliz e cheia de energia. É incrivel como esse monstro conseguiu tirar meu sono por meses a fio e me deixa com um nó imenso na garganta cada vez que penso nele…

Hoje, tomei coragem e peguei a revista… Oras, tenho que enfrentar essa esquisitice que de repente habitou meu interior. Li a matéria e muito emocionada, comecei a pensar em como a vida é engraçada… Nos prega cada peça. Nos pega de calças curtas… Puxa, me lembro no dia em que junto com meu marido, dei a notícia pra Mamãe de que estava grávida… uau, quanta alegria. Filha única que sou, não poderia ter dado melhor presente pra ela. E entre choros e sorrisos, sentimos uma emoção indescritível.

Ufa, as coisas estavam caminhando bem. Fazia seis meses que ela tinha feito a cirurgia de reconstituição da mama, retirada na mastectomia devido ao tumor maligno encontrado. A auto estima estava a mil e ainda tinha a novidade de que seria vovó. Porém, depois da nossa overdose, tomamos um gole amargo de veneno e 5 dias depois em um exame de rotina, detectaram que havia uma metástase óssea responsável por todas as dores que ela vinha sentindo nos braços, nas pernas e na coluna.

E o inferno das seções de quimio e radio teriam um novo início… um pesadelo, porque sabíamos de todos os efeitos colaterais que os tratamentos causariam. E assim, passaram-se cinco meses e as dores aumentavam cada dia mais e mais. A dosagem dos medicamentos iam aumentando e nada cessava ou sequer amenizava suas dores.

Aos poucos, fui assistindo minha mãe ficar debilitada sem nunca, em momento algum, desistir de lutar pela vida. Em uma de suas últimas idas a minha casa, na minha festa de aniversário com o Chá de bebê do Raphael em dezembro, lembro-me do tremendo esforço que fez para conversar com meus amigos e familiares, sempre dizendo estar super bem e “melhorando”…rs

Na primeira semana de janeiro, já muito mal devido as seções de quimio e super debilitada fisicamente, em uma tomografia, os médicos detectaram que a metástase tinha se espalhado pelo crânio e pulmão, atingindo o fígado com diversos focos. Ela nunca soube desse resultado!!!

Dia 24 de janeiro de 2011 os deuses me mandaram minha maior riqueza, o Raphael. Tinhamos zilhões de expectativas e estávamos todos mega ansiosos… toda a italianada reunida no hospital a espera do príncipe… e pumba… outra bomba!!! Com uma fratura de crânio durante o parto, Rapha ficou na UTI por 12 dias.

Minha mãe-guerreira, mesmo com todas as dificuldades de locomoção e sem conseguir se alimentar, esteve comigo no hospital firme e forte. Todos os dias carimbava sua presença na UTI pra passar energias positivas pro nosso bebê, mesmo sem poder vê-lo.

No dia 1 de fevereiro, minha mãe completou 61 anos e ganhou um presentão, a alta do Rapha… fizemos uma festinha de Boas Vindas pra ele e de aniversário pra ela.

Os dias foram passando e infelizmente o quadro dela só piorava… aos pouquinhos a minha estrela guia foi perdendo o brilho, perdeu a consciência e após uma hemorragia na segunda -feira de carnaval dia 07 de março ela foi internada. Com um quadro irreversível, veio a falecer na manhã do dia 10.

E eu, hoje lendo a matéria da qual fugi durante dias, me peguei pensando em como será meu primeiro Dia das Mães… Muito egoísmo meu dizer que será triste, afinal tenho um branquelinho lindo, fofo, gostoso que é minha razão de viver pra comemorar comigo. Por outro lado, me desmancho em dores e lágrimas ao pensar que será meu primeiro Dia das Mães sem a minha Diva.

Bem, emoções à parte… Muito engraçada a Vida!!!